sexta-feira, 6 de junho de 2008

ESTOU VIVO E ESCREVO OBRIGADO

Obrigado ao António Ramos Rosa: ao Sol maior do "círculo de Festa" da sua poesia, ao traço selvagem com que me inventa um Endoespaço, aos nomádicos instantes de aguarela. A sua poesia vela, verso a verso, o meu horizonte na espacialidade do vivido. Obrigado, António Ramos Rosa: pelo círculo azul de uma casa em devir como Ocupação do Espaço: espaço do tempo, raio do mundo eis uma poesia, onde, como relâmpago de assombro, residirei sempre. Obrigado Professora Doutora Isabel Clemente, o tesouro de um filão de afecto, a sua presença, o seu fundo fundamento para acreditar que será sempre demasiado cedo recomeçar a morrer. A minha Professora de Estética, que me deu a ver o céu de carpaccio, o belo de Platão contra os escolhos cavernosos, a cognição sensível e a cognição entusiasmada. A minha orientadora na filosofia e na vida. A minha amiga até ao subterrâneo infinito que me consagra na vísível certeza de um puro espaço onde redesenho o mundo do alento. Obrigado amiga Professora Doutora Isabel Clemente por ter-lhe dedicado a minha Tese. A Maurice Merleau-Ponty, ad infinitum, in memoriam, a tarefa da sobre-reflexão de uma latência ardente nos arabescos do desejo, nos ângulos da carne e da coexistência. Obrigado a todos os que trouxeram com a sua presença a emoção da partilha à volta do espaço de fissão da Poesia de Ramos Rosa, propagarando na genorosidade dos gestos o núcleo fraternal da sua Poesia (Pai- Mãe porque não estando estavas e estás/estão sempre, Mano- mana que não estando estás/estão sempre, Soraia, Margarida, Constança (o devir das crianças legentes de Ramos Rosa), Ruí Cecílo, Antónia Rosa Ramos, Patrícia de Bastos, Inês Nunes, Gisela Ramos Rosa. Obrigado a todos os outros presentes. Obrigado a todos os que ausentes sei que não estando estavam/estão sempre.........).
Obrigado ao brilhante painel de Júris que engrandeceram e validaram as implicações que fui capaz de suscitar com o meu estudo:Directora do Curso De Mestrado Em Criaçãoes Literárias Contemporâneas, Presidente do Júri, Professora Doutora Antónia Lima, Orientadora Professora Doutora Cristina Firmino Santos, Co-Orientador Professor Doutor José Bettencourt da Câmara. Obrigado à extaordinária e sempre rizomática, arguição do Professor Doutor Carlos Couto Sequeira Costa (agradeço também os Traços sobre o Traço para o Doutoramento sob o signo de António Ramos Rosa): A unanimidade na atribuição do muito bom translado-a para o sortilégio da unanimidade da extraordinária Obra de António Ramos Rosa. Obrigado. Este dia é Ramos Rosa (O6/O6/2008) " Porque em ti o mundo se redime e toda a magia é a realidade da palavra"(António Ramos Rosa).
luís filipe pereira

13 comentários:

Anónimo disse...

Os meus parabéns Filipe,
deixo-lhe alguns versos de um poema enunciado ontem:

"(...)Tudo o que sei, já lá está, mas não estão os meus passos nem os meus braços. Por isso caminho,
porque há um intervalo entre tudo e eu, e nesse intervalo
caminho e descubro o meu caminho"

António Ramos Rosa, Sobre o Rosto da Terra, Um caminho de Palavras, 1961

Anónimo disse...

Parabéns por este momento grandioso e emotivo. sinto-me orgulhoso. desejo que continues a percorrer um longo caminho de palavras, um caminho imagético ramos-rosiano e merleau pontiano e acima de tudo um caminho por ti trilhado, único e genial, numa trilogia que foi destacada pelo arguente Prof. Carlos Couto Sequeira Costa. rui cecílio

Aníbal Bragança disse...

Prezado Prof. Luís Filipe,
iremos contatar a BN e lhe daremos um retorno indicando como receberá a Revista Poesia Sempre.
Felicito-o pelos sucessos de sua vida acadêmica e pelo seu blog.
Um abraço da outra margem do Atlântico.
Aníbal Bragança

MóniKa disse...

Parabéns! Que haja sempre muita luz pelo caminho das palavras...

Anónimo disse...

Caro Mestre Luís Filipe Pereira. Sou doutoranda em Filosofia e assisti ontem à sua magistral Prova Pública: Foi brilhante!Parabéns. As suas palavras deram-me ocasião de encher um caderno de notas soltas, plenas de densidade e sabedoria fenomenológia, hermenêutica e ontológica.Obrigado. Ousei contactar a Universidade para obter seus contactos, porque gostaria muito, caso lhe seja possível, de trocar consigo impressões que serão de inestimável valia para a minha investigação, pelo que o contactarei em Breve. De novo Parabéns. Que diálogo inesquecível manteve com o Professor Carlos Couto. Extraordinário, impressionante o seu texto de apresentação.Obrigado. S. Pizarro

Isabel Clemente disse...

Encontrámo-nos por entre as folhas de um texto, extasiámo-nos com o que fomos descobrindo para lá do que pensáramos, para lá do que ousáramos pensar. E, mutuamente, fomos descobrindo Merleau-Ponty.
Por entre essas folhas, por dentro das palavras, enraizou-se uma amizade de que me orgulho e me comove. Obrigada Filipe.
Isabel Clemente

Anónimo disse...

Espectacular! Um grande aplauso para o Professor Filipe! Viva a Poesia e a Filosofia! Vivam as palavras e a escrita! Viva o blog Intertextualidades, porque "estou vivo e escrevo o sol"!
Viva a partilha que proporciona a todos nós!

Muitos parabéns!
Um grande abraço
Fernanda Apolinario

Anónimo disse...

Parabéns meu Caro,

Voilá deixa-me então dar-te a ver a vaidade com que te vejo meu amigo e veterano vaudevilliano da vicariante peça que é a vida. Viciosos são aqueles que vivem sem a virtude do verbo vivificante dos teus versos, para os demais ver torna-se vago pois a palavra viva que versificas na tua voz traz a verdade de que o verdadeiro Homem é aquele que vence pela ideia que simplesmente não vacila. Outros que vilipendiem a verdade que existe no valor de sonhar, tu ...tu foste feito para voar.

A ti meu Filósofo-Rei

V. Banza

luís filipe pereira disse...

Carissimo, Victor. Muito obrigado por palavras tão generosas e, vindas de ti, tão genuínas. Obrigado por entrares com o sopro da tua exímia escrita, por entares com a tua amizade pura, nesta janela discreta de um legente, eterno aprendiz, perpétuo principiante. É bom acreditar e voar até à polis de Platão e sondar a luminiscência das Ideias, raiando como Sol, além das sombras da caverna. Nessa pólis de Platão não entravam os poetas nem os artistas em geral, por produzirem simulacros de simulacros. Ninguém é Perfeito, platão também o não era, ainda assim é Rei entre filósofos, outros Reis-Poetas.Obrigado Victor. Entra sempre que desejes e este é também espaço para a tua escrita que tanto aprecio. Um abraço.Filipe.

Anónimo disse...

Viva ao nosso Mestre,
Viva à sua escrita,
Viva à sua apresentação,
Viva ao momento memorável,

Viva, continua a partilha intensa de aprendizagens...

OBRIGADA Filipe

Um beijo de:Inês

Anónimo disse...

Caro Doutor,

Os meus sinceros PARABÉNS!
Nã pedi para assistir pois há pessoas que não gostam e, lá ia outra vez obrigá-lo a...
Depois gostaria de ler... se conseguir entender! Às vezes é mais dificil que o Aquilino Ribeiro!!!
Quando se faz um grande esforço sabe bem um bom bom.

Para uma criança africana da Africa subsariana o melhor petisco, aquilo que a faz recordar mais tarde é da Manga Verde com sal e piri piri que se comigo com os moleques da rua.

Pela sua sensibilidade, por tudo o que deixou transparecer "Chiens perdus sans collier".

A minha prenda pelo seu esforço, pela sensibilidade e por ser meu Amigo.

Afectuosamente, Sani
CHIENS PERDUS SANS COLLIER


Somos cães perdidos sem coleira
comendo aqui, além, comida de ninguém
dormindo por aí, sem uma esteira
sem dono, sem destino, aos pontapés de quem
derrama sua ira, no cão que se lh'abeira.

Vagabundos, o mundo não é nosso
sem pedigree, p'ra nós não há 'sperança
de sermos companheiros duma criança.
P'ra nós só restará o osso
sem carne, sem tutano que o desprezo nos lança

Para onde quer que o faro nos conduza
só encontramos maldições, portas fechadas.
Aos turbilhões com outros vira-latas
nas ruas 'streitas, fétidas, enlameadas,
conspurcadas, proscrita a Lei que ninguém usa.

O MEU BOMBOM !

Gostaria que teus lábios
fossem um bombom
Motta, Perugina ou Sevigné
de Paris, Viena ou Roma
recheado ou praliné
ou outro qualquer aroma,

com nozes, passas e avelãs
derretido ou bem gelado
sherry ou licor de maçãs
em papel dourado ou prateado
negro, branco, amargo ou doce
um bombom que só meu fosse!



MANGA VERDE


Gostaria que meus lábios tivessem
guardado o sabor da manga verde
esmagada com piri piri e sal
para ao beijá-los te recordassem
a frescura debaixo do mangal

Que a minha pele retivesse
o bronzeado do sol da nossa praia
no torpor das tardes de Janeiro
para que ao afagá-la te lembrasse
o calor dum amor verdadeiro

Que o meu olhar ainda reflectisse
o brilho do Cruzeiro do Sul
e o langor da noite tropical
para que, então, nele se revisse
todo o amor dessa terra natal

Que no meu corpo houvesse
o ondular da praia do Polana
e que nele ainda te envolvesse
com o meu beijo ardente
todo o desejo que há no sol poente.


Maria Saturnino

luís filipe pereira disse...

Maria Saturnino:
Obrigado. Há pessoas assim cuja generosidade é genuína. Há pessoas assim que fazem da escrita uma ponte de afecto. Há pessoas assim que apreciam a verdade e celebram a amizade.Obrigado por se revelar uma pessoa assim. Um abraço com sabor de manga e deliciado com o seu "Bombom". Bem haja.

Anónimo disse...

Obrigada a ti pelo momento brilhante que proporcionaste...adoro-te! sora