segunda-feira, 22 de junho de 2009

À CONDIÇÃO ESTE ENUNCIADO



Se a orquídea branca
viesse agora florir na orla
aberta dos meus braços
sem que percebesse,
absorto apenas
no evoluir de estames,
abriria as mãos
para desferir o vento
que timbrasse a brusca voz
em tingida estrofe,
quase queda quase caminho,
qual nome que virasse nuvem
à volta do meu tronco,
que cruzasse descruzasse
os meus dedos perceptíveis
entre estreladas pétalas
por todos os lados
Se a orquídea branca
viesse agora florir
rasparia o sol que roçasse
o meu corpo todo:
sólido tamanho de sépalas,
fugaz fogo ténue timbre,
indemne espaço que inventasse:
orquídea + estrofe = istmo orquestral.

16 comentários:

Anónimo disse...

Orquídea orquestral, como vibra neste poema (magistral), lindo!Incondicional é a beleza, o imaginário, a música visível e odorífera que nos oferece com a sua Poesia.

J. Morais

Anónimo disse...

orquestra de palavras que nos erotiza como orquídea branca a florir rés ao corpo. rui

Anónimo disse...

Mimando o seu livro extraordinário A Tela do Mundo, e o poema "se de solidão" este Condicional, tão vívido e pleno de presente, chamar-lhe-ia Se de aberta esperança: há um corpo que vai forindo em todo o poema que é esse espaço maravilhoso que verdadeiramente "inventa", ficção mais que verdadeira pois imersa no re-torno ao real, ao ver que nasce da orquídea e se propaga em metonímias sucessivas, belíssimas, ao corpo inteiro.
Meus parabéns, Filipe.
M- A- Silva

Anónimo disse...

Há poemas
como este

que


nos co movem

assim........................até devolvermos o si----------(SE)lêncio.

Anónimo disse...

olá luis, aqui fica um bem aja
nao consigo encontrar por aqui o seu e-mail. é possível pelos nossos amigos comuns eu ter acesso ao seu e-mail?
abraço
rui effe

Anónimo disse...

ISTMO: "Quase queda quase caminho"
lindo, na vertigem dulcíssima que transporta, este poema. Fascinou-me sobretudo a invenção de um espaço de iminência quase /quase que transporta para a contingência, porque à condição, poemas assim deviam ser eternos.
Parabéns!

Lúcia M. B. Candeias

Anónimo disse...

Caro Amigo,

Não consigo dizer mais nada além de quem é sublime!
Dei-o a ler às minhas formandas que adoraram.
Bjs.
Sani

Nuno Filipe disse...

Gostei muito do seu poema! Subtil e sedoso!



Filipe Ferreira

Formando; Maria Saturino

luís filipe pereira disse...

Caros amigos, leitores, intertextuantes, afectivos legentes como eu sou, são palavras generosas, que sei sinceras e genuínas, que me empurram para a escrita, não como necessidade, pois esta se sacia logo que o ciclo da motivação se consuma, antes como desejo: istmo, intrépida falta, hiato.
J. Morais guardo o timbre do que a marcou na leitura: a música; rui cecílio, caro amigo/designer do meu livro a Tela do Mundo,guardo a subtileza, por alusão, ao erotismo à flor do corpo; M- A. Silva, bem-vinda a este espaço, retenho o regresso ao real, à poetização do ver; da gentil »anónima» a silente emoção;bem-vindo fantástico escritor e artista plástico, companheiro de route da Umbigo, Rui Effe; Cara Lúcia Candeias, mguardo o quiasma da contingência e da eternidade e a exegese da condicionalidade;Escritora, querida amiga Maria Saturnino (Sani) obrigado por voltar sempre aos meus textos, obrigado pelo afecto e divulgação da minha escrita. A todos, aos por-vir, meu fundo obrigado.
filipe

Anónimo disse...

A orquídea branca ali, a abrir-se à carícia dos meus dedos, à avidez do meu olhar, todas as manhãs, cada manhã, essa orquídea quase mistério, pura e ambígua, transmutada agora poema, mágico, sublime.
A minha orqyídea branca, flor/palavra.
Obrigada poeta.
Salica

Anónimo disse...

belíssimo poema! sentidos plurívocos, pétalas de sentido, corpo florido em poesia in-condicional. Bem Haja, L. Filipe Pereira.

M. R. Pedreira

Daniel Nascimento disse...

este poema é deslumbrante, pois não hà coisa tamanha no mundo tao sensível e comovente, no meio de tantas metéforas e hipérboles.
estou estupefacto;)
muito bonito e lindo. desde já muitos parabéns pelo empenho da publicação

luís filipe pereira disse...

Caro Nuno Filipe, agradeço a generosa aliteração a sibilar ânimo no que escrevo;cara M. R. Pedreira obrigado pela desmultiplicação exegética (bem-vinda!),Caro Daniel Nascimento, grato pela generosidade do elogio, bem-vindo a este repto intertextuante, Querida amiga, caríssima Professora Isabel Clemente, comunial nosso gosto pelas formas belas, pelo fulgor dos quiasmas "flor/palavra".Obrigado.
filipe

adelaide amorim disse...

Belíssimos seus poemas, Luís Filipe. É também rica e primorosa sua formação acadêmica. Parabéns e sucesso em sua carreira.

Daniel Nascimento disse...

Está lindo, tou sem palavras continua assim, isto está incondicional, sendo a beleza, delicadeza, ternura, amor, sinceridade

Anónimo disse...

INCONDICIONAL será sempre a magia, a beleza deste Poema.

S. Lopes