(pintura de Carmo Pólvora)

singra um brilho de barco.
sobre a água sobe uma espada
sob a ponta da proa.
sob a ponta da proa.
declinam degraus
até ao convés.
um riso de dor,
a ruir,
rasga as cordas
rasga as cordas
na flor da boca
derradeira.
derradeira.
estrelas violentas a afogar
a voz.
veias que abarcam
o tamanho das chagas
tombam,
a estibordo das pálpebras
tombam,
a estibordo das pálpebras
flageladas.
as quilhas nas algibeiras:
farrapos que se tragam.
bocas que bebem,
até ao fim,
bóias devastadas,
vermelhas bolinas
vermelhas bolinas
por fora do sangue.
azula-se a braçada
a cada braçada.
mas corpo algum abandona
a cabeça do grito
a sacudir cabos de sal,
a sacudir cabos de sal,
até à praia.
luís filipe pereira