
Para a Mónica Cunha,
Felinos fluviais os teus olhos estuam
nas silenciosas esquinas que
refazem a carícia do rosto
quando intacta é ainda a pele
dos caminhos
dos pólenes
por inventar.
Tens o caminho nos teus olhos
e um verde rio farejado
pelo pé em meditativo salto
sobre o poço aromático
em precária levitação.
Aos teus olhos nenhuma venda os detém
porque rasgam o desconhecido
e nenhum enigma mais extenuado que um nome
pode travar os seus verdes passos
esgueirando-se da moldura ao encontro
das fluidas margens da frescura:
eis um passo a anunciar um passo
rente aos bálsamos dos caudais
de um cego chão
iminente
prometido.
Oscila o horizonte a cada passo teu
levitando nas antevésperas da locomoção.
Sempre um pouco mais.
Porque os ombros do chão
já os trazes no desvão desacomodado dos olhos.
Avanças o pé onde uma frágil flor tatuada
está destinada a eclodir num sopro de estames
mal sintam os teus olhos antecipando sulcos
abrigos
na estropiada venda que espia
o claro cheiro de um chão.
Porque outros trilhos duráveis
como pássaros tenazes
alternadamente desvendam
os dois insignes luzeiros das íris
instigando o pé a deslizar nas perfumadas
bermas doutros caminhos.
luís filipe Pereira