
para Fernanda Apolinário
É submersa em meu sangue
que mora a memória
dum mundo
que mora a memória
dum mundo
na sua força de epigrama
na sua fala de esporângio
dum mundo
à beira da boca
como angular
asa por abrir
É rente ao remo
que se afunda
qual onda sob os ombros
da medida das manhãs
o ritmo das dispersas
varandas de sal
como a verdade espessa
em eólicos dedos
É na florida fronte
em padrão coeso
qual cálamo rendado de cais
que nos confins de pedras
de pássaros
afora de todo o espaço
se ergue o vento
como efémera estaca
do sonho
sem medida sacudido
quase veia flectida
sobre os filetes do verão
quase queda
quase dança
dum mundo nu de mundo
já dobra de nuvem
de nome
na janela
a rebrilhar
ribeiras vermelhas
brancas
no estanho desolado
baço
exogenamente riscado
do esquecimento.
luís filipe pereira