
uma janela discreta sobre os meus textos. as minhas imagens. as minhas leituras.pode assomar um gato legente ou uma pupila irisada. entre poesia, filosofia e artes outras. eis o blogue (llansolianamente) de um escrevente.................
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
A TELA DO MUNDO: NOVA DATA, NOVO LOCAL: 6 de DEZEMBRO, 17h, MUSEU DO FADO

segunda-feira, 3 de novembro de 2008
LANÇAMENTO DO MEU PRIMEIRO LIVRO DE POESIA: A TELA DO MUNDO
A Tela do Mundo, livro de estreia de Luís Filipe Pereira nos meandros da poesia, propõe-nos um diálogo entre a palavra poética e um conjunto de pinturas e pintores contemporâneas (de Vieira da Silva, Antonio López, Helena Almeida, Miró, Chagall, Cézanne, até aos desenhos do Poeta António Ramos Rosa, Graça Morais, Frida Kahlo, Tàpies, Júlio Resende, Paul Klee, Edward Hopper, João Vieira, Laura Cesana (uma pintura sua, expressamente realizada para o livro, dá rosto à capa idealizada como uma tela) Helena Almeida, De Chirico, van Gogh, Magritte entre vários outros).Um livro que explora o enlace ou concerto de duas artes: a poesia e a pintura, numa reinvenção da linguagem segundo o mote lançado por P. Klee para a arte moderna: "dar a ver o invisível" e convertido pelo autor de A Tela do Mundo em versos como:"O encontro dos lábios/ com a paisagem dos dedos". Este livro, como se tela em branco a ser pontilhada pelos sulcos de cor recriados pelo olhar dos leitores, nascerá no dia 29 de Novembro, às 18h45, na Livraria Byblos das Amoreiras, com apresentação da Professora Doutora em Filosofia/Estética A. Isabel Clemente (autora do Posfácio da obra), num evento pautado pela interartisticidade, pelo "encontro inesperado do diverso" (M. G. LLansol), por hibridismos de artes e polifónicos modos de dar a ver sob o signo do Poético em sua amplitude poiética e aiesthésica.sexta-feira, 17 de outubro de 2008
17.10.08: ANIVERSÁRIO DE ANTÓNIO RAMOS ROSA: O MEU POEMA PARA ANTÓNIO RAMOS ROSA
“Olhar sem caminho em cheio
a tranquila onda muscular
paralela à mão aberta e livre”
António Ramos Rosa, “A Paixão do Ar” in A Construção do Corpo
PARABÉNS ANTÓNIO: o olhar de Ramos Rosa
O olhar de Ramos Rosa incita à viagem nos interstícios do invisível
num esquiador silêncio mergulha até às entranhas da página
e instaura o quiasma intérmino das puras figuras
Rasgão e juntura ao rés da secreta espera e da ignota seiva
no caminho sem rumo
rumo à lenta casa do poema
O fogo e a água irisam-se nos socalcos do terrear
abrigam-se no traço do corpo que estua na paleta do olhar
então a mulher é o flanco da casa que pigmenta o horizonte
O olhar de Ramos Rosa sangra na lonjura de pedra de um animal olhar
imóvel vai até ao espaço futuro da fonte
buscar uma linha errante no azul aroma do sema da ferida
Invenção do domínio das cores a prumo
retina a retina
mancha a mancha
pálpebra a pálpebra
captando a carnal energia do espaço de uma liminar frescura.
Onde o saber deste olhar? Sabor aéreo sabor subterrâneo
umbilical perspectiva no pulso do olhar
que em si guarda as infraestruturas lídimas da paixão do Ser
O olhar de Ramos Rosa onde o gesto principia
e desenha o rosto da cinza sob o olhar do fogo
que dança irrompe na cavidade do ver?
que luz se completa na fenda selvagem?
que palavra nasce dentro desse olhar?
Rastro e astro de silêncio
olhar de sede
elementar
então o visível é a anunciação do invisível
no subtil desvio da mão como a origem entrevista
luís filipe pereira
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
(imagem:Filipa Amaral "Black and orange composition 02 with cuts") A CASA DO POEMA

Entre foragidas aves a perder de vista e negras linhas do adeus
A casa vazia nocturna e vasta morde a ínfima espiral da memória
Como se respondesse à deslocação do verbo sob as unhas
Seus olhos dão-me um remo os meus dão-lhe a estilística do mar
Se descer as escadas ouço as aves a beber a lua amarrada ao poço
E vejo o gelo a atear o que escrevo
E devora-me a casa com o seu peremptório frio de escombros
Igual ao comboio rápida a casa partiu para só regressar por alturas da solidão
- Há um mar a arder por trás do muro
Uma flor a desabrochar negra asa cântico de morte
Sonâmbula liturgia na boca da noite -
Se descer ao silêncio despedaçam-se as varandas que alçam os ossos e a voz
E vejo o tronco do ar e tranco na minha garganta a sua sombra esguia
O caminho até à janela é a distância de uma palavra sublime fruto submerso voo
Cada parede cada esquina cada palavra cega tudo apeadeiros em fuga
Tudo divisões remendadas rasando os confins da morte na falha adiantada do amor
luís filipe pereira
sábado, 27 de setembro de 2008
IMAGEM: GIACOMETTI, L'HOMME QUI MARCHE SUR LA PLUIE/1948: CHUVAS DE IR

Declinam em gotas os teus passos?
Tu conhecias as casas habitadas pelo som das chuvas. pelo ruído das lágrimas onde o choro de quem se ergue torna mais subtil o som das águas. tu erguias-te e as agulhas do teu sangue limpo cosiam as agulhas dos pinheiros. querias atingir o mais longínquo.
Vejo-te no espelho deste vidro. vejo-te subir o estuário das ruas e da noite: és barco de água parada na brusca aceleração do espaço em que estagnam as esculturas.
Tu descobrias nas paredes das casas um fio de água como um fio de tempo e por mais passos luminosos que escorressem numa perseguição de anzol tu sentias como a vida se entorna veloz e inteira sobre uma folha de aço. tu vias a fosforescência das células em tantas células sobrepostas. as reproduções de ti próprio modalizadas por rectângulos de nitrato de prata.
Se te ergueres acaso grita a mudez do teu retrato?
Tu aprendias com as sombras. com os seus estilhaços. não tapavas a cabeça para recompores a sombra conhecida da ácida solidão dos corredores percorrendo-te até ao fim do mundo. até ao fim das chuvas manchando de aragem os pinheiros. só o vento te esticava as pálpebras e os braços nessa vigília das chuvas. no entanto caminhavas.
Para que chuvas de ir rumam os teus passos?
vejo-te no meu pensamento quando desvio os olhos do vidro. nele esgueiras-te e desandas e nada perguntas do que de mim se extingue na superfície do espelho. no meu pensamento há um pinheiro pesando-me de verdes desabrigos e chamo ir a esta janela virada para ti enquanto os meus olhos tracejam o modo de delimitar esta chuva. este rastilho de água a continuar a negra sede
do homo erectus?
luís filipe pereira
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Já nos escaparates, Revista Umbigo/setembro, com ensaio meu sobre livro de Rui Nunes: eis um excerto breve
domingo, 14 de setembro de 2008
PARABÉNS ANTÓNIO RAMOS ROSA (felicito também os demais distinguidos de inexcedíveis méritos)

Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, António Ramos Rosa e Manuel Alegre distinguidos
A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) anunciou hoje a atribuição da sua Medalha de Honra aos ensaístas Eduardo Lourenço e Óscar Lopes, ao poeta António Ramos Rosa, além de outras personalidades da vida portuguesa, como Paula Rego, Júlio Pomar, António Manuel Baptista e Mário Soares.
A SPA considerou que estes autores merecem a distinção "tendo em conta a inquestionável relevância e representatividade da sua obra" e indicou que a data da entrega será anunciada em breve.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Ilustração de Mónica Cunha (que generosamente a artista me dedica) & um poema em dia-logos

Para a Mónica Cunha,
Felinos fluviais os teus olhos estuam
nas silenciosas esquinas que
refazem a carícia do rosto
quando intacta é ainda a pele
dos caminhos
dos pólenes
por inventar.
Tens o caminho nos teus olhos
e um verde rio farejado
pelo pé em meditativo salto
sobre o poço aromático
em precária levitação.
Aos teus olhos nenhuma venda os detém
porque rasgam o desconhecido
e nenhum enigma mais extenuado que um nome
pode travar os seus verdes passos
esgueirando-se da moldura ao encontro
das fluidas margens da frescura:
eis um passo a anunciar um passo
rente aos bálsamos dos caudais
de um cego chão
iminente
prometido.
Oscila o horizonte a cada passo teu
levitando nas antevésperas da locomoção.
Sempre um pouco mais.
Porque os ombros do chão
já os trazes no desvão desacomodado dos olhos.
Avanças o pé onde uma frágil flor tatuada
está destinada a eclodir num sopro de estames
mal sintam os teus olhos antecipando sulcos
abrigos
na estropiada venda que espia
o claro cheiro de um chão.
Porque outros trilhos duráveis
como pássaros tenazes
alternadamente desvendam
os dois insignes luzeiros das íris
instigando o pé a deslizar nas perfumadas
bermas doutros caminhos.
luís filipe Pereira
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Foto gentilmente oferecida pela escritora brasileira Paula Cajaty: folhas sobre o Rio de Janeiro
para Paula Cajaty
uma inscrição a sangue seco
na cinza do céu do Rio de Janeiro.
como se fosse um lamento de seiva sequiosa
de versos de verão.
dulcíssimas folhas esperguiçando-se
como refulgentes relógios de sol
escrevendo os trópicos aéreos
em que nasce a tremenda nostalgia.
folhas, feridas do outono, de almíscar e de amendoeira
em flor adiada.
erguem arcos de sol e salmos
entre os brancos baldios dos braços
na sua fecunda sede da flor.
são cálidas caligrafias como candeias solares
do intacto iodo e do sul infinito.
folhas, litorais do levante, de crescentes abismos
a meio do vento no meio-dia do céu.
luís filipe pereira